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Um belo dia decidi voltar aos cachos


Por volta dos quinze anos comecei a alisar o cabelo. Por estética ou por praticidade, esse estilo me acompanhou por muito tempo. Acontece que mulher sempre gosta de mudar e chega uma hora que enjoei do cabelo alisado, não por desgostar dele, mas por sentir falta da real textura do meu cabelo a ponto de nem lembrar como era e pelo fato de ter pouquíssimas fotos que não me ajudava a lembrar. Porem com o cabelo com progressiva é difícil voltar as origens, pois a progressiva não sai e a unica alternativa que via era o cabelo nascer todo de novo.


Ele estava grande e liso e mantive assim por anos e numa decisão repentina, decidi cortar aproximadamente 30 cm de cabelo. O calor exacerbado de dezembro de 2014 me foi muito útil na decisão, foi a principal desculpa que usei para que ninguém me enchesse por causa da decisão de voltar a ser cacheada. Mais tendo o cabelo grande por tanto tempo, tive insegurança na decisão de cortar e pedi a opinião de varias pessoas. Tive que ouvir que ficaria muito curto, que não ficaria legal, que pareceria uma lésbica, que pareceria homem, que cabelo grande que era bonito – que era muito jovem para ter cabelo curto. Fiquei muito desanimada com tudo que ouvi, foi ai que pensei  que a única interessada no corte era eu e também seria eu a única afetada. Que todas as criticas eram apenas questões estéticas e que o corte era um meio para chegar em meu real objetivo: ter novamente meu cabelo cacheado.  Foi então que ignorando a grande maioria eu cortei.



Quando cortei as mesmas pessoas que me criticaram elogiaram o corte e como ele combinava comigo. Nessa hora que percebi que quando se tem uma meta, deve persegui-la porque as pessoas tendem a te por para baixo e te impor o que elas acham que é certo.

Com a progressiva desgastando e o cabelo crescendo, comecei a curtir meu cabelo com mais volume e sem a aparência do liso escorrido. Foi bem no inicio da transição e a hora que mais senti confiança no que queria. Foi também quando comecei a compartilhar com algumas pessoas meu desejo e que comecei a ouvir novamente criticas.


Tive que ouvi que: eu tava era procurando ter trabalho – que meu cabelo só andaria com friz – que elas não trocariam a progressiva por nada – que meu cabelo ficaria com muito volume – que ele não ia aparentar arrumado – Por que não voltava a alisar para parecer mais certinho? Ouvia que tentavam me impor um ideal de beleza que já não mais me satisfazia e que não trazia nenhuma felicidade. 

Com os meses passando a diferença de textura ficou muito mais evidente e a aparência dos fios perdeu a graça para mim. Via minha vaidade ir se quebrando com a aparência que não me agradava, mas ainda sim tinha alguma felicidade ao ver o tanto que o cabelo crescia e que era apenas ter paciência para conseguir o que deseja. meso assim, desde pequena sendo bombardeada por todos os lados sobre a importância da  mulher ser bela me afetou muito nessa época, achava que esses conceitos que nunca concordei não estavam em mim realmente, até que vi que sim, estavam tão enraizados que me via querendo desistir varias vezes só para acabar com aquilo que eu vi como feio e que tava me fazendo mau. Via que mesmo querendo ser cacheada, o padrão de beleza europeu e americano que dizia que o modo como nasci não era belo ainda estava em mim, o que ajudava a me questionar inúmeras vezes. 



A transição foi como um tratamento de choque para a alto-aceitação. Quase como uma terapia intensiva onde tive que encarar vários dos conceitos que nem sabia que carregava na minha personalidade. Tive que deixar de lado a opinião de outras pessoas que achavam que sabia o que era melhor para mim para eu analisar e avaliar o que queria e se isso era o certo. 

Para disfarçar e lidar melhor com  minhas inseguranças, constantemente deixava o cabelo preso de varias formas: Meio preso, rabo de cavalo, tranças me acompanhava diariamente ao acordar cedo para ir a faculdade.


Um ano se passou e revolvi cortar novamente, e deixar bem claro que não alisaria, mesmo o cabelo ficando curtinho e tive que ouvir tudo de novo. O interessante que ninguém me perguntou o que eu queria, porque eu estava fazendo aquilo, ou falou para eu abraçar mesmo isso se era o que eu queria. Todas falavam para fazer isso porque eram isso que queriam para si mesmas e todas essas criticas estéticas revelavam muito sobre ideologia, preconceito, insegurança que sentiam que vai além da vaidade. A cada minuto nos transformamos, mudamos de opinião, formamos opinião, passamos a acreditar em algo e desacreditamos em outras. A aparência reflete muito isso. As roupas, maquiagem, cabelo é uma forma de mostrarmos o que somos e não devem ficar engessados por insegurança, medo ou porque alguém não gosta. Se algo ou uma situação te faz feliz e não faz mal a ninguém, não tem nenhuma razão para não trazer isso para si. Eu tinha um cabelo alisado. Fui muito feliz daquele jeito. Até que não estava mais feliz. Então eu mudei, eu cortei, me transformei, eu cacheei para ser feliz, e minha aparência corresponder com a nova eu.  Faria tudo de novo, e mudarei muitas outras vezes.


Ainda tenho um pouco de química nas pontas que ficaram que deixa o cacho mais aberto que na raiz, mas sumirá totalmente no próximo corte. Estou muito feliz com minha escolha, apesar de admitir que olho no espelho me perguntando se não poderia ter esperado um pouco mais. É uma aparência que não a muito não via e que estou acostumando. Tem hora que estranha muito, mas a maior parte do tempo fico muito feliz com o resultado de um ano de transição tanto esteticamente como internamente. Ainda tenho muito a aprender sobre como cuidar desse cabelo e não cometer o erros que cometia na adolescência, mas com um passo de cada vez chegarei lá. 





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